quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A imprensa que temos e efeitos colaterais

Não tem nada mais enganoso do que a imprensa. Ela não tem opinião, tem novidade. O modo como as atitudes de Neymar vêm sendo reportadas é um exemplo claro disso. Quando o cara dava chapéu com a bola parada, tirava sarro dos adversários, etc. era molacagem, era o que fazia a alegria do futebol, era a arte versus os brucutus que, na verdade, não gostam de futebol. Quando o Ganso se negou a sair no jogo contra o Santo André pouquíssimos falaram em desrespeito, só se houvia falar em "personalidade"... Quando os outros "moleques" (porque pra mim não são moleques) da Vila tiraram sarro dos próprios torcedores do Santos quando sofreram críticas, tentando humilhá-los, novamente a repercussão foi mínima.
Todos esses fatos eram apenas sintomas do que estava para vir. Sim, como o Renê Simões afirmou, estamos criando um monstro, eu diria, a imprensa está criando um mostro. Talvez isso seja o indício de uma imprensa até bem intencionada, mas que "vende" tudo o que tem para ter algo diferente. Será que isso compensa? Que vale a pena sacrificar muita coisa para se apreciar um garoto mimado?
Eles acariciaram e agora se indignam! Não deveriam estar dividindo a culpa com o Neymar?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Música simpática

Uma das melhores coisas relativas a computador e poder escutar música enquanto se estuda, muito simpático... melhor ainda é o esquema aleatório de tocar as suas músicas que, as vezes, te surpreende. Não é que eu estava escutando as coisas que comumente escuto quando começou a tocar essa música especificamente. Devo destacar que não sou muito fã do Zeca Baleiro, mas acho (esporadicamente) uma ou outra de suas canções simpáticas, essa eu gosto:

Bienal

Zeca Baleiro/Zé Ramalho

Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faç
o um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
calcado da revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"

Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiat
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria

Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria



p.s.: se forem ver o vídeo desconsiderem as imagens hehehe