terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A minha "descrítica"

AVISOS:
1. é provável que esse texto se alongue, portanto, se você está com pressa sugiro que deixe para outro dia a leitura ou não leia. Motivo: para economizar publicações no blog vou fazer uma miscelânea e comentar várias coisas que queria numa única postagem. Desse modo, nesse texto vou falar tanto sobre filmes quanto sobre críticas. Mais especificamente, vou perder mais tempo comentando Harry Potter e as relíquias da morte - parte 1 e sua crítica pelo blog http://descritica.blogspot.com/ (além de outras críticas a outros filmes nesse mesmo blog).
2. é provável que algumas coisas sobre o enredo dos filmes sejam ditas (isso que tem um nome em inglês que eu nunca lembro), no caso de Harry Potter, no entanto, isso não deve ser um problema porque todo mundo leu os livros. Se você é uma das pessoas que não leu, sugiro que leia.
3. chega.

Para começar, tem alguma coisa muito estranha com os filmes da série Harry Potter. Se retomarmos os livros não é difícil perceber que no 5º e no 6º (para mim, o melhor) mais importante do que o que acontece é o clima que se cria na narrativa (não quer dizer que a morte do Sirius, a do Dumbledore, etc não tenha importância). Explico: Todo o 5º livro se centra na tensão (e num jogo de aproximação e distaciamento) entre Harry e Voldemort que se dá justamente pela possibilidade do Dark Lord ter acesso à mente de Harry, etc. etc. Nessa, digamos, frente narrativa (que é a principal) está, na minha opinião, justamente o maior problema do livro: tudo concorre para a condução de Harry ao Ministério da Magia e a tentativa de fazer ele pegar a profecia para Voldemort (sendo que, aparentemente, o próprio Voldemort poderia ter feito isso). A outra frente narrativa se centra no enfretamento entre o Ministério e Dumbledore, principalmente com a inserção da Umbridge em Hogwarts. Isso, como prenuncia a Hermione no 5º filme deveria ser um elemento de tensão, mas o filme leva isso nas tintas, preferindo se ater ao lado cômico da Umbridge e das suas ações, quando, na verdade, poderíamos ter uma espécie de prenúncio do que seria o clima no 7º livro, ou seja, uma situação em que as liberdades individuais são cerceadas de tal modo que a insurreição dos oprimidos é uma conseqüência óbvia (como Rony diz ao Harry quando ele tenta sair da Toca para evitar que outros sejam mortos em seu lugar, a questão não é apenas proteger o Harry porque ele é uma criança - ou um adolescente - ou porque ele é um amigo, mas derrotar Voldemort). Nesse sentido, na comparação com o livro a ausência do quadribol no 5º filme é quase que imperdoável, porque, na minha opinião, é lá que temos o estopim da revolta. Ou seja, nesse filme um dos elementos fundamentais deveria ser, na minha opinião, a exploração dessas tensões, mas tudo se centrou no primeiro beijo do Harry e na Umbridge como uma piada... Perdendo, inclusive, boa parte da problemática Harry/Snape que se estabelece nas sessões de oclumência (e que são fundamentais no 6º e no 7º livro). No 6º livro, mais ainda, a construção do clima é fundamental e é dada, por um lado, pelas memórias coletadas por Dumbledore sobre Voldemort (que constroem um vilão muitíssimo interessante sob diversos vieses) e, por outro, pela inserção do Slughorn e de sua relação com Potter (e sua mãe) e com Voldemort. Ou seja, todo o 6º livro é sobre Voldemort, mas ele quase não aparece no filme, as memórias de Dumbledore são reduzidas a uma ou duas... O filme se centra novamente nas intrigas amorosas (que são interessantes) e na ação, principalmente com a ida à Caverna e coisa e tal... (até pode ser que esse pouco destaque dado ao Voldemort no 6º filme atenue o desnível entre o que se mostra do Dark Lord no 6º livro em que ele se apresenta, digamos, como um vilão respeitável (por suas habilidades) e o 7º livro em que ele é em termos práticos um palerma cuja presença só se faz necessária para o Harry matá-lo. Voltando ao filme, ele, de fato, é simpático (se compararmos com o 5º é uma obra-prima hehehehe). Tudo isso para dizer que me surpreendeu no 7º filme a ênfase no relacionamento entre os personagens e a falta de pressa (acho que essa é mesmo a palavra) em ir apresentando vários elementos que, no livro até são importantes, mas não ganham, na minha opinião, o mesmo destaque. Isso porque, para mim, o 7º livro (já faz um tempo que eu li) rola numa velocidade quase que alucinante, as coisas vão acontecendo e se sucedendo umas às outras num ritmo frenético. Talvez aqui faça sentido o que a Livia - no Descrítica - chama de "um estudo em sensibilidade". É claro que, nesse caso, ela mesma se contradiz ao dar uma importância que não tem no filme - pelo menos não nessa parte - ao "poder do amor". É no mínimo complicado você chamar de insensível um filme que faz uma “apologia do amor” como a que ela parece ter lido no Harry Potter. Tendo em vista a velocidade do livro, era de se esperar que nesse um filme as coisas simplesmente acontecessem porque no livro é mais ou menos assim, mas não, eles deram uma respirada que contribuiu, na minha visão, para uma melhora desse filme em relação aos outros. O banho de sangue ficou guardado para a parte 2.
Já falei o que queria sobre os filmes do Harry Potter, agora vamos à crítica da descrítica. Começando com um contra-senso: uma pessoa que lê Harry Potter efetivamente gostar da personagem chamada Harry Potter é algo do nível de uma pessoa que gosta de Cavaleiros do Zodíaco gostar do Seya (ou assistir Lost e gostar do Jack), ou seja, praticamente impossível. Ninguém (e se houver alguém, por favor, se manifeste) que leu e gostou gosta desses personagens. Continuando com esse raciocínio, é de se esperar que, de fato, a Hermione assuma as rédeas de qualquer situação envolvendo o Harry e o Rony porque ela é, sem sombra de dúvida, muito melhor como bruxo do que eles. Aliás, sou da opinião que um dos problemas dos filmes e dos livros é a insistência em se apegar ao Harry quando ele é o personagem mais chato (em todos os sentidos) da história. O fato da série chamar Harry Potter não deveria dar essa importância ao personagem (Dawson's Creek tem esse nome e a única personagem que aparece em todos os episódios é a Joey, que - diga-se de passagem - é filha de uma mulher chamada Lílian Potter, coincidência??).

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SÉRIE: EU IMPLICANDO COM AS PESSOAS:
1. o Snape matou o Dumbledore no 6º livro e não no 7º
2. Quer saber a intenção do escritor pergunte a ele, mas isso não faz muita diferença no final das contas, ou você é uma daquelas pessoas que deixam a sua leitura ser influenciada pela dos outros?
3. Você realmente acha que o sétimo livro é pior que os outros em termos de escrita, de narrativa? Sério? Você leu os 3 primeiros?
4. "Pq em que universo você passa capítulos e mais capítulos com os três personagens principais em uma cabana, acampando e não fazendo nada exceto se tornando pessoas odiosas que vc quer ver sofrer de forma lenta e gradual?". Sério? Você realmente lê alguma coisa? Você já leu Madame Bovary? Posso citar para você pelo menos cinco ou seis estudiosos de literatura que afirmam que, a partir de dado momento (séc. XIX), há uma tendência que se acentua nos textos literários de esfacelar a narrativa centrada em acontecimentos a favor da construção de textos em que a ação tem pouca ou nenhuma importância. Dica: Tchecov.
5. Verdade que só no 7º livro você percebeu que o Harry é um imbecil? Sério? Você não leu os outros? Mais importante: você não leu o 5º? Leia! Lá você vai encontrar Harry Potter no esplendor de sua burrice. Até que no 7º ele fica mais inteligente.
6. O nó da narrativa é o Harry descobrir que o Dumbledore ocultou informações (ou mesmo mentiu) para ele? Olha o Arnaldo tendo um infarto!!! Se eu não me engano, o nó é aquela situação que causa determinado desequilíbrio que deve ser reparado. É sobre isso o sétimo livro? Porque se for o desfecho deveria ser o Harry descobrindo a verdade sobre o Dumbledore. É isso que é fundamental no sétimo livro??? A morte do Voldemort e a destruição das horcrux deve ter sido um acidente então.
7. "Me senti pessoalmente ofendida que foram necessários sete volumes para Harry ganhar do Voldemort com o p***** do poder do amor. De repente me senti dentro de um episódio de Barney, o dinossauro roxo, sobre a importância da amizade e do amor na vida das pessoas." Se eu não me engano, o Eco, em algum lugar do Apocalípticos e Integrados, fala que, muitas vezes, o problema não é o livro (ou o filme, ou o quadrinho, ou o que quer que seja), mas o leitor que se projeta neles. Se você ler qualquer livro procurando uma lição nele, você vai encontrar. No sétimo livro, pelo que eu me lembro, a questão do "poder de amor", de fato, é fundamental, mas aí eu coloco dois problemas na sua leitura: primeiro, um livro dar importância para o amor e a amizade é algo negativo?; segundo, eu não lembro ao certo como é no livro se eles explicam certinho como que funciona esse "poder do amor" que salva o Harry da morte e ajuda a matar o Voldemort, imagino que eles expliquem porque, de fato, é meio confuso - estou me referindo ao confronto final entre Harry e o Dark Lord - e porque a J. K. Rowling gosta de explicar as coisas, mas esse, eu acho, é um momento que precisa ser explicado e só nesse momento, pelo que eu lembro, no 7º livro surge esse papo aí (se é que surge mesmo)... Apesar de ele estar presente em praticamente todos os livros e filmes (talvez não no 6º)...
8. O Voldemort não é, nem a pau, o maior bruxo de todos os tempos. Talvez o mais temido... Se eu tivesse que escolher, meu voto é: Snape.
9. Um problema que já tinha notado quando comentei a crítica sobre o Homem de Ferro 2: a predisposição em criticar, muitas vezes, leva quem critica a deturpar o que de fato acontece no objeto criticado. Sendo assim, deve-se destacar que não é a Hermione que acha o túmulo dos pais do Harry (mas, o próprio Harry), assim como não é ela quem vê as iniciais do irmão do Sirius na porta do quarto (é o Rony). Acho muito triste essa implicância com a Hermione porque a importância que, principalmente, ela e o Rony têm nos filmes (e nos livros) é um elemento quase que de verossimilhança, pois não era possível que um imbecil como o Harry fosse o herói sozinho, sem ajuda. Nesse sentido, talvez, seja interessante um paralelo com o que Tolkien falava sobre o herói em O Senhor dos Anéis. Para ele, se há um herói ele não é o Frodo, mas o Sam. E o Frodo não é, de modo algum, tão burro e incapacitado como o Harry.
10. Cansei.

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Uma coisa que sempre me chamou a atenção no http://descritica.blogspot.com/ é a escolha dos filmes comentados. Isso porque, pelo que eu me lembro da leitura desse blog, todos eles (ou quase todos) se enquadrariam no que a própria autora, provavelmente, chamaria de "filmes pipoca" (definição dela mesmo numa conversa no blog da Mirane - vide http://salaodofogo.blogspot.com/2010/05/homem-de-ferro-2.html). Foi então com grata surpresa que me deparei com o texto sobre alguns filmes do Kubrick (http://descritica.blogspot.com/2010/09/descritica-apresenta.html). Aí eu pensei, agora sim. Essa menina vai ganhar meu respeito (porque eu gosto do Kubrick, acho os filmes dele, digamos, simpáticos - para não perder o costume). Isso porque achei que ela ia fazer uma crítica, digamos, destrutiva aos filmes do Kubrick (um diretor consagrado pela crítica). Deve-se lembrar que o subtítulo ou a explicação do título do blog é "destruindo o cinema. um filme de cada vez". Em relação ao texto dela sobre os filmes do Kubrick eu até concordo com o comentário em relação à questão do tempo, mas se o Kubrick aborrece o que pensar então do Wenders ou do Antonioni. No mais uma implicação com o Tom Cruise e com a Nicole Kidman, de alguém que aparenta gostar do Leonardo DiCaprio. Aí, não. Mas o problema não é bem esse, a questão é, como diria eu mesmo, "bater em bêbado é facil". Qual é? Todo mundo está esperando que você bata no Harry Potter, no Crepúsculo, no Amar, Rezar e Comer (é esse o nome?) e seja educada e simpática com o Kubrick e com o Scorcese e com o Nolan. O que isso acrescenta? Pro A Origem não tem "roteiro" e pro Homem de Ferro 2 tem? Por quê? Porque alguém determinou que Crepúsculo não pode ser bom e que o Bergman não pode ser contestado. Só um pouco de ousadia, não muito. Só um pouco. É o que eu peço.
Esse é o problema do formato de crítica lá adotado, chamado de “descrítica”, mas que só "destrói" aquilo que os outros permitem que seja destruído. O Guilherme sempre ficava irritado que, quando ele ia ganhar uma argumentação comigo eu usava daquilo que ele chamava de "galhofa". Não perder a piada é importante, mas para alguém que (vide blog da Mirane) aprendeu sobre iluminação e roteiro e movimentos de câmera, etc. é suficiente? Eu uso a galhofa quando estou perdendo uma discussão, mas, o que se poderia ter perdido para esses filmes? Tempo? Ou seria vergonha de dizer que gosta? Porque no blog são mínimos os comentários sobre os filmes que você gosta em comparação com os que não. Tenho certeza que não falta criatividade para fazer um roteiro dos filmes do Woody Allen, do Coppola, do Wenders, do Scorcese, do Godard, do Fellini, etc. Por que, então, esses não ganham “roteiro”?


Abraço para todos.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pois é, pra quê?

Percebi que a música que dá título ao blog não estava aqui, então:

Pois é pra quê?

O automóvel corre, a lembrança morre
O suor escorre e molha a calçada
A verdade na rua, a verdade no povo
A mulher toda nua, mais nada de novo
A revolta latente que ninguém vê
E nem sabe se sente, pois é, pra quê?

O imposto, a conta, o bazar barato
O relógio aponta o momento exato
da morte incerta, a gravata enforca
o sapato aperta, o país exporta
E na minha porta, ninguém quer ver
Uma sombra morta, pois é, pra quê?

Que rapaz é esse, que estranho canto
Seu rosto é santo, seu canto é tudo
Saiu do nada, da dor fingida
desceu a estrada, subiu na vida
A menina aflita ele não quer ver
A guitarra excita, pois é, pra quê?

A fome, a doença, o esporte, a gincana
A praia compensa o trabalho, a semana
O chope, o cinema, o amor que atenua
O tiro no peito, o sangue na rua
A fome a doença, não sei mais porque
Que noite, que lua, meu bem, pra quê ?

O patrão sustenta o café, o almoço
O jornal comenta, um rapaz tão moço
O calor aumenta, a família cresce
O cientista inventa uma flor que parece
A razão mais segura pra ninguém saber
De outra flor que tortura, pois é pra quê?

No fim do mundo tem um tesouro
Quem for primeiro carrega o ouro
A vida passa no meu cigarro
Quem tem mais pressa que arranje um carro
Pra andar ligeiro, sem ter porque
Sem ter prá onde, pois é, pra quê?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A imprensa que temos e efeitos colaterais

Não tem nada mais enganoso do que a imprensa. Ela não tem opinião, tem novidade. O modo como as atitudes de Neymar vêm sendo reportadas é um exemplo claro disso. Quando o cara dava chapéu com a bola parada, tirava sarro dos adversários, etc. era molacagem, era o que fazia a alegria do futebol, era a arte versus os brucutus que, na verdade, não gostam de futebol. Quando o Ganso se negou a sair no jogo contra o Santo André pouquíssimos falaram em desrespeito, só se houvia falar em "personalidade"... Quando os outros "moleques" (porque pra mim não são moleques) da Vila tiraram sarro dos próprios torcedores do Santos quando sofreram críticas, tentando humilhá-los, novamente a repercussão foi mínima.
Todos esses fatos eram apenas sintomas do que estava para vir. Sim, como o Renê Simões afirmou, estamos criando um monstro, eu diria, a imprensa está criando um mostro. Talvez isso seja o indício de uma imprensa até bem intencionada, mas que "vende" tudo o que tem para ter algo diferente. Será que isso compensa? Que vale a pena sacrificar muita coisa para se apreciar um garoto mimado?
Eles acariciaram e agora se indignam! Não deveriam estar dividindo a culpa com o Neymar?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Música simpática

Uma das melhores coisas relativas a computador e poder escutar música enquanto se estuda, muito simpático... melhor ainda é o esquema aleatório de tocar as suas músicas que, as vezes, te surpreende. Não é que eu estava escutando as coisas que comumente escuto quando começou a tocar essa música especificamente. Devo destacar que não sou muito fã do Zeca Baleiro, mas acho (esporadicamente) uma ou outra de suas canções simpáticas, essa eu gosto:

Bienal

Zeca Baleiro/Zé Ramalho

Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faç
o um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
calcado da revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"

Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiat
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria

Com o clarão do raio da silibrina
Desintegro o poder da bactéria



p.s.: se forem ver o vídeo desconsiderem as imagens hehehe

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma noite, 2 filmes

Hoje fui assistir (no Cine Eldorado) dois filmes. Primeiro, Tudo pode dar certo, de Woody Allen, depois, O Escritor Fantasma, de Roman Polanski. A minha reação aos filmes não poderia ser mais distinta.
Woody Allen continua o mesmo, só que, desta vez, ele acertou. A começar pela escalação do elenco, Larry David interpreta o protagonista (aquele de sempre), muito melhor do que o próprio Woody Allen vinha interpretando. O Boris Yelnikoff (nome do personagem de David) consegue juntar a reflexividade e o típico falatório dos personagens de Allen com um postura mais calma e mais forte e sarcástica, coisa que o próprio Allen já não conseguia fazer. Boris Yelnikoff se tornou um achado do filme, talvez o melhor (pelo menos dos que eu assisti) desde Tiros na Broadway (1994). Isso porque os dois últimos filmes dele que comecei a ver parei no meio: Igual a tudo na vida e Melinda e Melinda.
Já o filme de Polanski é simplesmente insosso. É um diretor que eu preciso voltar e ver porque que tem tanto prestígio. Deixo claro que não assisti aos filmes que são considerados seus principais: Repulsa ao Sexo, O Bebê de Rosemary e O Pianista. O único filme dele que se salva dos que eu vi é Chinatown (talvez também o A Morte e a Donzela). No mais, em O último portal, Lua de fel, Busca frenética, Tess, não vejo nada que o credencie.

domingo, 8 de agosto de 2010

Tentando explicar as cotações

Para alguém que se interesse (seguindo uma quase sugestão da Mirane), segue uma tentativa de explicar o sistema de cotações para os filmes (lembrando que é algo muito pessoal):

Funciona mais ou menos assim:
**' é a nota de corte, significa "assistível"
*** é para filmes bons ou simpáticos (note, por exemplo, Matadores de Vampiras Lésbicas), são filmes legais de se assistir
***' São filmes bons ou simpáticos que merecem distinção
**** São para filmes muito bons
****' São para filmes que eu acho excelentes, mas tenho uma ou outra reserva (não quero dar muito o braço a torcer)
***** São os que eu acho os melhores
Simples assim.
Detalhe: as vezes tenho problema com filmes que considero pretensiosos, ou seja, que parecem querer ser algo que não são. Esses, geralmente, se ferram.
Detalhe 2: filmes bons e simpáticos (ou mesmo legais) são igualados em *** se não chegam a ***' significa que eu gosto do filme, mas que ele não se destaca em relação a outros que eu considero seus concorrentes.
Detalhe 3: filmes com ** ou menos são filmes que eu considero ruins e a nota varia dependendo do tanto que eles me aborreceram com sua ruindade.
ok?

Voltando de "A Origem"

Só para registrar a minha opinião que também se fará evidente no "Últimos filmes que vi e cotação". Hoje fui assistir ao A Origem, de Christopher Nolan, achei o filme simpático. Depois de O Cavaleiro das Trevas passei a valorizar bastante o trabalho do diretor e acho ele um dos mais "fortes" e respeitáveis da atualidade, principalmente no contexto norte-americano. Mas hoje - assim como assistindo, por exemplo, Amnésia ou Insônia - não é que ele me decepcionou, pelo contrário, o filme é mais ou menos o que eu esperava dele, mas ele escancara um problema que, na minha opinião, é grave ultimamente: o de achar tudo o que é "psicodélico", "muito louco" e esses tipos de comentário, superior ao resto só por ser "foda". A impressão que fica para mim é que ele descobriu um filão para fazer dele um "autor cult" e o explora e as pessoas o adoram por isso independentemente do filme ser ou não bom (é claro que isso é algo relativo...). O que eu queria registrar é que, na minha opinião, dos filmes dele que eu vi até agora o mais significativo é, com certeza, O Cavaleiro dos Trevas, e eu acho extremamente triste que algumas pessoas prefiram, por exemplo, A Origem a ele. Me parece que, na maioria dos casos, esse sentimento diz respeito a uma rejeição da história de super-herói em favor de algo que não é, necessariamente, melhor, mas que será abraçado por determinada crítica que o acha um filme "genial" porque ele não é O Cavaleiro das Trevas... Essas mesmas pessoas, segundo me parece, acham Amnésia e Amores Brutos filmes notáveis por sua "descontinuidade", por sua "fragmentação", mas isso basta? Eu gosto de Amnésia (não gosto de Amores Brutos), achei A Origem um filme legal, mas não para tanto.
Aguardando os próximos filmes de Nolan...
p.s.: deve-se destacar que Nolan (junto com Tim Burton, Almodovar, Tykwer, entre outros) é um dos poucos diretores em que você encontra hoje em dia uma certa coerência entre os filmes, acho isso importante. Não digo que eles não devam variar (eles devem, viu Woody Allen e Almodóvar!), mas essa "marca" é algo a se destacar.
p.s.: não gosto muito da idéia do "se eu não entendi é bom" que muitas vezes rodeiam alguns filmes (Donnie Darko, Amnésia, etc. - filmes que eu gosto, diga-se de passagem -) e que faz com que uns poucos que se acham "entendidos" se achem. Essa postura, segundo me parece, provém daquela idéia de que os "filmes europeus" ou os "filmes alternativos" é que são bons e que eles são "difíceis de entender". Dessa idéia vem a de que o que é apenas "confuso" passe, por vezes, por inteligente. Não me refiro especificamente aqui ao A Origem, pois acho que é um filme que, inclusive, se explica até demais.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ricardo Gomes, ou o técnico do sufoco

Quando o Muricy Ramalho foi embora e o Ricardo Gomes foi anunciado como técnico do São Paulo a primeiro coisa que eu fiz foi perguntar: "Aquele da seleção pré-olímpica?". A resposta não demorou muito, pois é, era exatamente esse. A minha pergunta (com tom de revolta) tinha um único fundamento, eu tinha assistido os jogos da seleção, uma seleção que não se classificou para as Olimpíadas (você consegue imaginar uma seleção brasileira que não se classifique para qualquer coisa, pode ir para um torneio e não ganhar, mas não se classificar para um torneio que conta, se eu não me engano, com 16 seleções...). Pois bem, quem viu os jogos viu uma seleção que dependia única e exclusivamento do Pato (que nem é tudo isso).
Praticamente um ano depois, o tempo só reiterou o que estava na cara desde o princípio: esse cara não sabe o que está fazendo em campo, definitivamente não é técnico para nenhum time grande, talvez nem para times medianos.
Recapitulemos: o grande jogo do time ano passado foi a vitória contra o Náutico, quando o time perdia e tinha um (ou dois, não me lembro) jogadores a mais e conseguiu um bom resultado. Note-se, foi uma vitória da força de vontade e da garra das jogadores, não houve uma disposição tática do time ou variações de jogadas ou qualquer coisa do tipo que abonasse o trabalho do treinador.
O grande jogo do time neste ano foi o primeiro jogo contra o Cruzeiro nas quartas-de-final da Libertadores, aí sim, nota-se um sistema defensivo bastante compacto (o que também se observou hoje), mas foi um time numa noite muito feliz, praticamente todos os contra-ataques deram certo.
O jogo de hoje contra o Internacional foi muito parecido, mas, ao contrário do jogo com o Cruzeiro, o time n ão conseguiu ameaçar o adversário. No intervalo ele deveria ter percebido que era um jogo diferente daquele e não era difícil de perceber os motivos. Olhem para os piores jogadores são-paulinos em campo: Marlos, Hernanes, Fernandão e Dagoberto. Era o meio e o ataque que não funcionavam e era óbvio o porque. O Cruzeiro é um time que joga e deixa jogar, o Inter, não. Os jogadores de defesa do Internacional são muitos mais fortes do que os do Cruzeiro e se impuseram fisicamente aos jogadores do tricolor. Eles não deixaram espaço para a velocidade de Marlos e Dagoberto e o Ricardo Gomes fingiu que não era com ele. A defesa continuava bem postada e isso parecia suficiente. Muito bem, então. O São Paulo não teve a posse de bola no primeiro tempo (nem no segundo), mas isso não era desastroso, o time precisava ficar um pouco mais com a bola e assustar o adversário para que ele não se empolgasse, mas para um primeiro tempo estava de bom tamanho. Ele conversa com os jogadores no intervalo (imagino eu) e eles afirmam que vão se empenhar mais, tentar algo diferente. Ok, você dá mais uma chance a eles porque confia, 15 minutos, no entanto, era o momento de dar ao São Paulo uma maior posse de bola além de mais força física no ataque. O que ele podia ter feito, podia, sim, colocar o Ricardo Oliveira (preferiria que fosse no lugar do Marlos, que não sabe marcar mesmo) e recuar o Fernandão, ele ia brigar com os zagueiros, mas não pela bola alta, pelo bola que fosse tocada por Hernanes, Rodrigo Solto ou Richarlyson, e ele tinha chances de ganhar, ao contrário do Dagoberto. Podia ter tirado, então, o Dagoberto (caso tivesse tirado o Marlos antes) para colocar o Marcelinho Paraíba, mais experiente e mais forte. Mas ele esperou tomar o gol e, então, fez as alterações do desespero. Se ele acreditava que a formação inicial era o melhor modo de enfrentar o Inter em sua casa, porque, ao tomar o primeiro gol, ele mudou o jeito do time de jogar? Por que então ele passou a expor o time, sim, expor o time, porque só depois do gol o Inter teve chances reais de gol?
Esse cara não sabe ler jogo, não sabe mexer no time. Pra que que alguém precisa de um técnico assim?
FORA RICARDO GOMES!
P.S.: agora é desesperador que, quando precisa de um armador que venha do banco um técnico (qualquer técnico) prefira Cléber Santana a Jorge Wagner. O Jorge é, com certeza, um dos melhores jogadores do time, se entende que em determinado esquema tático ele não tenha lugar, mas deveria ser o 12º jogador do time. Um cara que prefere esse Cléber Santana (até aqui um zero à esquerda no tricolor ao Jorge Wagner só pode estar de brincadeira!
P.S.2.: Não acho que com esse técnico horrível o São Paulo vá se classificar, mas estarei na quinta que vem torcendo para o Tricolor (e para a saída de Ricardo Gomes, um técnico que é, sendo condescendente, medíocre).

quinta-feira, 22 de julho de 2010

São Paulo x Inter



Como eu acho que o São Paulo deve jogar contra o Inter na semifinal da Libertadores:



O imbecil do Ricardo Gomes tinha achado o time nos jogos contra o Cruzeiro, mas a incontrolável necessidade (sabe Deus porque motivo?) de colocar o Richarlyson no time o fez inventar (o cara não sabe o básico, quando dá pra tentar fazer além do mais simples a coisa complica de verdade): Miranda jogando pela direita, Cléber Santana jogando (o que já é mais do que ele pode), Richarlyson, primeiro de zagueiro, depois de volante... CHEGA!!! Independente de ganhar ou não a Libertadores: FORA RICARDO GOMES.

Outra alternativa:

Essa opção, eu acho, é mais defensiva, mas, talvez, até mais eficiente do que a outra. Você tem mais pegada no meio de campo, pois o São Paulo só chega com um jogador de marcação de verdade no meio: Rodrigo Souto. Hernanes, Marlos, Dagoberto só fingem que marcam... Assim libera Dagoberto e seu companheiro (Fernandinho ou Marlos) para realmente atacar, sem precisar ficar voltando tanto, a impressão que eu tenho no São Paulo, às vezes, é que todos se preocupam em marcar, ninguém marca e não faz nada, além disso... Com essa formação, além disso, dá para colocar o Xandão ou o Alex Silva como um lateral direito que não sobe, recuar o Jr. Cesar (ou o Richarlyson) e jogar num 4-4-2 (com o Marlos) ou num 4-3-3 (com o Fernandinho).
Ah, um dos melhores jogos do Hernanes no ano (o primeiro jogo do tricolor na Libertadores, era contra um time mexicano, esqueci o nome) foi jogando pela direita quase como um ponta, fazendo mais ou menos a função que o Marlos faz hoje.

sábado, 17 de julho de 2010

Discussão no blog da Mirane

Aqui não tem comentário deletado. Se for preciso, a gente faz até exame de DNA. Quer ver o original? http://salaodofogo.blogspot.com/2010/07/o-que-e-literatura-pra-voce.html


O Salão do Fogo

"Este é o Salão do Fogo - disse o mago. - Aqui poderá escutar muitas canções e histórias - se conseguir ficar acordado. Mas, a não ser em dias importantes, o salão fica vazio e quieto, e aqui vêm pessoas que desejam ter paz e refletir. O fogo fica sempre aceso, durante todo o ano, mas quase não há outra fonte de luz."

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O que é literatura pra você?
Quero saber o que faz você, leitor, considerar um livro/escritor literatura ou não.
Lanço a pergunta e aguardo as respostas.
Postado por Mrs. D. às 01:24

Comentários:

D.Reis disse...

Mirane, depois que o Barthes disse que há literatura de lazer e literatura de fruição, tudo é literatura para mim! Desde Machado e Dostoievski até Rowling e bula de remédio. Ou seja, literatura é aquilo que me interessa no momento em que estou lendo! Não disse nada, né?
15 de julho de 2010 08:36

Julio Camillo disse...

É a humanidade na modalidade escrita.
15 de julho de 2010 23:39

Pedro Freire disse...

É interessante que saibamos diferenciar a "Literatura" da literatura.

Literatura é o conjunto de preceitos que uma classe tida como dominante no meio social considera "culto", ou seja, em um certo padrão de erudição. Claro que esses preceitos evoluem, não no sentido valorativo da palavra, mas de mudança em períodos, assim como a sociedade evolui. Algumas obras consagradas são consideradas Literatura.

Já "literatura" tem outro objetivo: o de divertir. Tem um público alvo e vai escrever visando o agrado do mesmo, sem esquecer as críticas que vai sofrer de diversos outros tipos de pessoas, é claro.

Em outras palavras, tudo pode ser "literatura", mas nem tudo pode ser "Literatura", e essas delimitações são completamente cambiáveis.
16 de julho de 2010 01:57

Mrs. D. disse...

Acho que não fui muito clara na pergunta. Eu não quero saber o conceito de literatura de vocês. Quero saber o que num livro faz vocês consideram aquele literatura e outro não. Por exemplo, por que Crime e Castigo é literatura (canônica)? O que CONCRETAMENTE, na sua trama, escrita, modo de condução da história, etc. faz dele um livro "bom"? Entenderam?
16 de julho de 2010 10:07

Julio Camillo disse...

Vc quer achar o mapa da mina.
16 de julho de 2010 11:57

Pedro Freire disse...

Acho que é complicado delimitar desse jeito. O literário do livro está anexo a ele. É como se fosse sua alma, fizesse parte de sua fundamentalidade. Nesse jogo, estão contados diversos quesitos, como a forma formidável com que o autor leva sua história, a complexidade da narrativa, o envolvimento com o leitor, o uso terminológico de uma palavra a troco de outra, e assim por diante. Sem dúvidas, existem livros "pobres" em todos esses aspectos, que visam a venda e a diversão, e a percepção disso é clara. Por exemplo: não é possível, na minha opinião, chamar Crepúsculo de Literatura, apesar de ser literatura e divertir milhões de pessoas no mundo.

Claro, tudo o que é esse tipo de Literatura pode ser visto como opinião pessoal ou não, mas acho que esse fenômeno valorativo deve ser estudado, e não criticado, visto que ela é uma ocorrência mundial.

Lembrando, é claro, que sou um ávido leitor e produtor de literatura com l minúsculo, e por isso não estou criticando nada aqui.
16 de julho de 2010 15:29

Fernando Cordeiro disse...

Eu concordo que há literatura com L maiúsculo e literatura com l minúsculo. O primeiro caso se utiliza, por exemplo, quando se inicia uma sentença. Veja: Literatura é simpática. O segundo quando não está no começo. Veja: É simpatica a literatura. Mas que conversinha besta. Se eu entendi, o que você quer dizer é que existe literatura boa e literatura ruim, como existem tortas boas e ruins, bolos bons e ruins, pessoas boas e ruins. O detalhe é que o que é bom e o que é ruim não é algo perene, lembremos, por exemplo, que na Idade Média os romances de cavalaria eram considerados literatura ruim, hoje em dia, no entanto, isso foi revisto porque os gostos mudam.
Voltando às tortas, o fato de uma torta (ou bolo, ou um jogo, ou um blog, etc.) ser ruim não quer dizer que ela não é uma torta. Assim como um assassino continua sendo homem. Você pode achar Crepúsculo ruim, mas, certamente, ninguém tem cacife suficiente para dizer que não é literatura. Assim como eu, por exemplo, acho “A fonte da vida”, “Um olhar do paraíso”, “Guerra ao terror”, “O homem que sabia de mais”, etc. uma merda, mas não digo que não seja um filme. Colocar as coisas dessa forma facilitaria a vida de todo mundo. Até porque se formos começar a diferenciar tudo como tendo um conjunto com letras maiúsculas e outro com letras minúsculas íamos todos acabar eScReVeNdO aSsIm, nÉ mIgUxO!!!
Outra coisa, esse negócio de "alma" é para acabar...
E "anexo": "(cs) adj (lat annexu) 1 Que se junta como acessório; apenso. 2 Incluso, incluído: Folha anexa."
Não faça isso, você se contradiz, diz que a literariedade é a "alma" e "anexa ao livro". Se ela é a alma ela é essência, logo, não pode estar anexa, não pode ser contingente!!
Outra coisa, se entrou na chuva é para se molhar, não me venha com essa que não está criticando nada, assuma a posição!!!
Mais um pouco: não seja ranzinza não tem necessariamente nada de errado com o que "diverte milhões", esse tipo de argumento é uma forma (cretina) de autolegitimização de um grupo que – porque leu um pouco de Shakespeare, um pouco de Joyce, de Guimarães Rosa, etc. (obras que são lidas por poucos) – menospreza o resto, independentemente de qualidade, você enquanto leitor e escritor de literatura, na minha opinião, devia evitar esse tipo de postura... O que parece estar no funda desse argumento não é uma diferença de qualidades entre as obras, mas entre leitores. Em outros termos, existiram os burros e imbecis (a grande maioria) que leriam o que é ruim (e o que for lido por eles é necessariamente ruim) e os inteligentes e brilhantes, os intelectuais, que lêem aquilo que foi dito que é bom (e que se torna bom sem questionamento...) Essa última postura eu acredito que seja a mais absurda e incoerente, pois os que teriam “capacidade” não têm criticidade e engolem aquilo que lhe é empurrado.
Quando há essa mudança de foco é que as coisas, na minha opinião, se tornam muito perigosas...
16 de julho de 2010 17:07

Mrs. D. disse...

Então, Pedro, como você sabe eu respeito a sua opinião, mas discordo. Tudo o que você disse sobre o que você considera literatura pode ser exatamente o que outra pessoa vê de literário no Crepúsculo (Uso o Crepúsculo como exemplo por ser o mais criticado atualmente, mas vale pra tudo: Paulo Coelho, Sabrina, Julia, etc.)
Por exemplo, quando você diz "Nesse jogo, estão contados diversos quesitos, como a forma formidável com que o autor leva sua história, a complexidade da narrativa, o envolvimento com o leitor, o uso terminológico de uma palavra a troco de outra, e assim por diante." Pra mim, tudo isso que você disse eu vejo no Crepúsculo e, por isso, ele é tão literário pra mim quanto qualquer outro livro. Como já disse antes em outras conversas, também acho que tem alguns livros que são MUITO melhores que outro, mas isso está relacionado ao gosto do leitor e não à qualidade da obra. Dividir a literatura em literatura de qualidade e literatura de diversão, pra mim, é absurdo já que tem livros que conseguem ser divertidíssimos e ainda fazem parte do cânone e são esses que são as verdadeiras obras de arte na minha opinião . Resumindo: Crepúsculo é tão literatura quanto qualquer outro, só não é uma obra de arte.
16 de julho de 2010 17:43

Pedro Freire disse...

Bom, recomendo ao Fernando que releia os meus comentários ^^.

Espero ter deixado claro que o conceito de Literatura e literatura, o qual defendo, não foi inventado por mim. Outro detalhe: não é lógico que esse tipo de imposição de juízo de valor, porque assim como tudo o que é valorativo no meio social, foi introduzido por uma classe intelectualmente dominante, e está aberta a mudanças de acordo com a evolução temporal da sociedade? Claro que novelas de cavalaria já foram vistas como não-literário e depois como literário, justamente porque a sociedade que analisou as mesmas obras em períodos diferentes não é a mesma, nem os preceitos intelectuais são os mesmos.

Eu não pretendi atacar ninguém aqui e apenas expressei a minha opinião. Sinceramente não pretendia ser atacado tão diretamente.

Vou repetir o que já disse: toda crítica ou posição deve ser estudada como uma ocorrência, e não destruída por pessoas com argumentação desmantelada como a sua. Sim tornou-se pessoal.

E concordo com você, Mirane, quanto à obra de arte. É exatamente isso o que eu quero dizer com L e l, mas pelo visto não fui claro. Um dia Crepúsculo pode ser visto como obra de arte, e porque não?

Os sistemas valorativos vão mudando conforme as necessidades. E quem disse que a alma e a essência não podem estar anexas a uma existência? Você está supondo posicionamentos iguais quanto a algo efêmero, e isso é triste.
16 de julho de 2010 19:40

Guilherme Mariano disse...

Como diria o Durão, não me bota nessa fria...
16 de julho de 2010 20:34

Fernando Cordeiro disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
16 de julho de 2010 20:48

Fernando Cordeiro disse...

Boa noite a todos, especialmente ao Pedro.
O meu comentário, ao contrário do que você pensa, não é pessoal (no sentido de que não é um ataque a você, achei que esse era um lugar para se expor opiniões, independentemente do fato de ela ser a favor ou contra este ou aquele), a minha opinião é. Por isso fiz questão de não recorrer a ninguém para sustentá-la e faço questão de manifestá-la.
É claro, no entanto, que ao ver a sua resposta eu me desapontei um pouquinho contigo, pois, ao que parece, você me dá mais argumentos do que contra-argumentos o que, eu acho, seria mais produtivo para a discussão.
O primeiro argumento que me é fornecido é o fato de seu comentário utilizar a citação como muleta. Por quê? Porque ao se referir (não se referindo) a quem "criou" essa divisão você, simultaneamente, pretende reforçar seu argumento mediante a algum tipo de autoridade que quem inventou essa divisão possa ter (o que pra mim não faz tanta diferença assim, pode ter sido até o Papa) e "se esconde", novamente, da responsabilidade de assumir a posição para si (o que é triste).
Agora "uma classe intelectualmente dominante" é bom, forte, sabe... Pena que, ao que parece, você se esforce para perpetuar as opiniões e preconceitos (inclusive sociais) dessa magnífica "classe intelectualmente dominante". É esse tipo de postura (e não você enquanto pessoa) que eu procuro criticar sempre que tenho a possibilidade, porque acho uma posição muito passiva, muito pouco crítica.
Eu não "destruí" seu comentário (tanto que ele continua onde estava e você tem a possibilidade de contra-argumentar), eu fiz uma crítica ao seu comentário. Como você fez ao meu. Espero que eu não tenha sido descortês ou mal-educado, mas quando você comenta deve imaginar que vai ser comentado. Como diria o Renato (http://salaodofogo.blogspot.com/2010/05/homem-de-ferro-2.html): "Quer moleza: Toma sopa de minhoca".
Quanto à questão da alma, o meu argumento é que anexo é algo que não é essencial, pelo que eu entendi do seu argumento a alma seria essencial, logo não poderia estar anexa, pois seria algo intrínseco (nesse caso ao livro). Por que senão parece que a "alma" do livro é um acessório (foi isso que você quis dizer? Se foi é estranho!)
Até mais.
16 de julho de 2010 20:51

Guilherme Mariano disse...

Bom, diferente d Durão, eu não tenho juízo... olha só Pedro, desculpa, nem te conheço, mas já que você está aqui vamos lá:

"o conceito de Literatura e literatura, o qual defendo, não foi inventado por mim."

Não foi inventado por você obviamente né? Mas o fato de você o defender o torna perpetuador desse conceito. Da mesma forma que defender o facismo não torna você o criador do conceito, porém não te exime de ser facista.

E essa é a melhor:
"foi introduzido por uma classe intelectualmente dominante,"

Intelecualmente dominante em que sentido? Você sabe qual é a classe dominante hoje? Você consideraria a classe dominante como intelectualmente dominante? Você por acaso já conversou pessoalmente com algum membro da classe dominante? Nossa sociedade é medida em capital, não em intelectualidade, pô!

Fora esse seu discurso engraçado, dizer que há uma baixa literatura e uma alta literatura demanda uma explicação melhor do que uma divisão entre "pouco lido" e "muito lido". Dessa forma, parece que a alta literatura que você defende é um saco e a baixa literatura é o que realmente move o leitor. Entende? (parafraseando o Edson)

Agora respondendo a Mi. Bom, uma obra qualquer para ser considerada arte, na minha opinião, tem de ser bem realizada. E a qualidade dessa obra seria apreendida no modo como ela se realiza. Especificando, um livro é bom quando ele é bem estruturado e possui uma narrativa interessante. Para mim ele é exemplar quando sua estruturação ou sua narrativa vão além do bom e coneguem me deixar com a boca aberta pensando "nossa".
E uma obra que não se realiza é aquela cujas estruturas ficam aquém do esperado, ou a narrativa torna-se por demasiado insossa.
Dessa forma, eu acho que temos de avaliar uma obra pela narração (modo como é contada) e pela narrativa (o que ela conta) e não pelo que pessoas mortas de uma classe dominante decidiram por nós há algum tempo atrás.

Não sei se fui claro, provavelmente não o fui, ando perdido na dissertação e meio avoado, mas espero ter contribuido em algo.

Ps: Fer, você estava inspiradíssimo no seu post, o começo dele foi simplesmente genial, estrutural e superestruturalmente ^^
16 de julho de 2010 21:00

Guilherme Mariano disse...

Não tinha lido o último post do Fer quando escrevi, hauhauha ele tembém notou o intelectualmente dominante ^^
16 de julho de 2010 21:09

Pedro Freire disse...

Que seja. São opiniões divergentes, e não se excluem. Entendo o ponto de vista de vocês. Depois do estudo devido, que pretendo adquirir com o tempo, trabalharei melhor essas questões, que como o Fernando e o Guilherme deixaram bem claro aqui, ainda não sou uma autoridade no assunto ou um mestrando com gabarito e cadeira pra discutir melhor. Na verdade, acabei me equivocando dentro da minha própria argumentação, o que a tornou inválida. Fui infeliz no uso das palavras por várias vezes e fiz metáforas deploráveis.

O que tentei apresentar da melhor forma foi que Literatura é artístico, é carregada de uma carga ou juízo de valor diferenciada. Esse juízo de valor, assim como gramática normativa, é imposto, e essa imposição deve ser estudada, pois ocorre. É uma simples equação de "Se... então": Se algo ocorre, então estudemos!

Eu acho essa divisão, sim, clara. Faz parte do convívio humano toda essa trama valorativa. Claro que considero o que li de vocês hoje muito válido e vou levar isso comigo na empreitada de edificar minha opinião com maior clareza e definição.

O meu ponto de vista se mantém, e não vejo onde ele pode ser comparado com o fascismo (comparação infeliz).

Um abraço a todos e abaixo a ditadura de opiniões ^^.
16 de julho de 2010 21:29

Fernando Cordeiro disse...

Oi Pedro,
eu entendi esse seu comentário como uma espécie de tentativa de encerrar a discussão. Eu quando venho comentar aqui espero que isso não ocorra e continue em aberto para que se possa discutir (quando a discussão fica mais forte a Mirane briga comigo, mas fazer o que?).
Uma parte grande da minha "implicância" com o seu comentário diz respeito a essa postura que você retoma aqui de citar o "grau de formação" meu e do Guilherme. Isso não tem nada a ver. É importante para concursos e coisa e tal, mas numa discussão não tem muita relevância, na minha opinião... Em outros termos, eu não quero me esconder atrás desse "título" (mestrando ou doutorando ou o que quer que seja). É a mesma coisa com a história da referência, é ótimo você ter um apoio na argumentação, mas a idéia não é "se esconder" atrás do cara, porque as idéias dele (como todas) podem ser discutidas, contestadas, etc.
É verdade, a literatura vem carregada de juízo de valor, mas um bom exercício é se livrar disso e ver o que tem por trás... A "imposição" nunca é um negócio legal, ou seja, mais do que estudar o que é imposto, talvez, o caminho seja entender porque é imposto e, a menos que se concorde reavaliar ou rechaçar essa imposição.
Imagino que você tenha lido Crepúsculo (que era o exemplo citado) e não tenha gostado, se for assim, ótimo. Diga que é uma porcaria. O que eu combato (e creio que não é esse o seu caso) é o cara que fala que é uma porcaria, mas que gostou e fala que é porcaria só porque é o que os "intelectuais" dizem ou porque é o que todo mundo lê (nos dois casos é uma tentativa - vã - de se distinguir da "massa", tornando-se um pseudointelectual).
O Guilherme citou o fascismo porque a sua opinião (na nossa visão, minha e do Guilherme - que, diga-se de passagem também são um pouco diferentes) é bastante conservadora, digamos "de direita". Porque ela restringe, ao invés de ampliar, o conceito de literatura, escolhendo um já determinado conjunto de obras.
Mas é claro que o seu ponto de vista se mantém o que é bom para as discussões. Ele não é tão diferente, por exemplo, daquele que o Douglas expressou citando o Barthes... Ou seja, você está bem acompanhado...
Até mais e esperando mais contribuições à discussão.
16 de julho de 2010 22:15

Fernando Cordeiro disse...

melhor trocar o "vem carregada" por um "foi carregada"
16 de julho de 2010 22:17

Pedro Freire disse...

eu li crepúsculo. Não gostei nem um pouco. Os motivos são vários: acho o livro pobre, limitado, mal construído e mal escrito por diversooos motivos, mas respeito quem gosta ^^.

É isso o que eu estava tentando dizer na diferença entre o tal do L maiúsculo e minúsculo que estava citando. Não desmerecendo o minúsculo, pois sou um leitor dele desde criança, mas sabendo que a diferença existe. O fato do livro agradar não significa que ele seja artístico entende? Eu, pessoalmente, e tenho certeza que o meu amigo André também, sempre dizemos que as pessoas tem que aprender a diferenciar o bom do divertido. O que é divertido é divertido, e o que é bom é bom, e por vezes o bom não é divertido.

Que seja minha visão "de direita", mas que fique claro que eu estou tentando não tomar lados (mesmo sendo impossível, né?). Eu sei que vocês pretendem combater essa visão conservadora, e admiro isso.

Quer um exemplo talvez meio infeliz? Não consigo colocar Tolkien e Meyer no mesmo patamar ^^'. Não dá pra comparar um gênio e uma obra perfeita como a de Tolkien com o textinho pop-romântico da Meyer!!! E de onde vem essa valorização? Será que é só através de mim ou existe mesmo algo mais a ser observado? Não dá pra colocar tudo no mesmo nível e chamar de literatura, e é nessa tecla que insisto.

Quanto aos títulos e citações, concordo que são estratégias argumentativas chulas, e me desculpem pelo mau uso do rótulo. Espero que entendam o quanto me sinto intimidado aqui, de um jeito ou de outro ^^'. é inevitável. Sou só um graduando.
16 de julho de 2010 22:28

Guilherme Mariano disse...

Bom Pedro, você não pode abaixar a cabeça e dizer que está errado ao mesmo tempo em que acredita que está certo. E eu também não acredito numa relativização e nem numa exclusão dos argumentos. Eu acho que a discussão deve ser contínua, pois é por essa continuidade que nós conseguiremos, na minha opinião, chegar algum dia a uma síntese, ou não. Na verdade, eu só gosto da discussão mesmo.
Mas acho um problema bem levantado o do Fer de você colocar uma titulação (no meu caso inexistente, pq eu não sou nada ainda) como um empecilho a discussão. Principalmente porque a sua argumentação é muito mais fundamentada em uma regularização canônica do que a minha.
Eu não te chamei de facista, desculpe se fui infeliz no exemplo, eu só quis enfatizar que não é por alguém defender a idéia de outra pessoa que isso o livre do fogo cruzado ^^
16 de julho de 2010 22:30

Fernando Cordeiro disse...

Oi Pedro,
a discussão tá simpática... Não se intimide!!! Titulação é um pedaço de papel, diz muito pouco sobre qualquer coisa, exceto sobre a burocracia. Se eu me achasse "intelectualmente superior" não estaria discutindo... Esse papel provavelmente você vai ter um dia (e vai ver que não vale tanto quanto se supõe).
Acho que é uma diferenciação simpática o bom do divertido, mas, é claro, temos interpenetrações, não são coisas que se excluem. E são adjetivos (não preciso dizer muito mais do que isso), ou seja, subjetivos...
O problema é que a "ciência da literatura" já existe há algum tempo e pouco se criou no sentido de estabelecer parâmetros coerentes em termos de definir o que é bom e o que não é (É isso que está implícito na pergunta da Mirane e que ela explicitou depois)...
Eu também gosto mais do Tolkien do que do meio livro (Crepúsculo) que eu li da Meyer. Imagino que haja elementos textuais e culturais que podem ser levantados para uma comparação, mas mesmo assim a questão valorativa ainda se coloca como um problema. E dizer que um dos dois não é literatura cria um problema maior que é: já que isso não é, o que é? Quais são os parâmetros? E aí a "alma" não vale porque você não tem como provar cientificamente, mas a opinião do leitor vale. Você acha que o Tolkien ou o Tolstói ou o Hemingway ou o García Marques são melhores do que a Meyer, a Rowling, o Paulo Coelho, o Guilherme Mariano, ok! Essa é sua opinião como leitor, se você é um crítico isso é sua opinião como leitor e crítico, mas em termos objetivos é complicado...
Agora, voltando às metáforas falar que um livro ruim não é literatura é como dizer que um assassino não é um homem. Você vai poder dizer que ele não é um "homem bom", mas que ele não é homem eu acho complicado.
16 de julho de 2010 22:54

Pedro Freire disse...

Queria citar um exemplo legal de filmes que acabei me lembrando agora e acho que ilustra bem o que o Fernando falou sobre "pseudointelectuais":

Eu sou um grande fã de Avatar. Acho o filme lindo em vários aspectos. Agora, sei de gente que foi no cinema assisti, gostou, e depois saiu falando mal por ter entrado num site de "cinéfilos", lido as críticas e passou a achar ruim tbm!!! Eu sei muito bem o quanto isso é ridículo porque já senti na pele, e não sou desses, acredite. ^^

Não dizendo que o universo DEVA gostar de Avatar nem nada, mas assuma seu valor e não se deixe guiar pelo juízo comum de intelectualidade, que não é a mesma coisa que estou querendo dizer quanto à literatura.
16 de julho de 2010 23:06

Fernando Cordeiro disse...

É um bom exemplo. Eu não gosto de Avatar, mas acabei simpatizando com ele porque vi isso que vc falou acontecer e acho uma palhaçada.
16 de julho de 2010 23:09

Fernando Cordeiro disse...

Eu adoro Dawson's Creek, e daí? Conheço uma porção de gente que não gosta, mas isso não muda o que eu acho... Agora as pessoas se esconderem atrás das opiniões dos outros é que eu acho triste. Gostou, gostou. Não gostou, não gostou. Simples.
16 de julho de 2010 23:12

Guilherme Mariano disse...

Eles são definitivamente melhores do que eu, até o Paulo Coelho, pois ele tem um castelo. Agora, eu não li Crepúsculo, então não posso falar nada dele. Vi o filme, é bem filmado, bem realizado, mas a narrativa não me agradou em nada. Mas independentemente do que eu diga, ele não vai deixar de ser um filme. E não é porque ele foi feito pra divertir que ele vai ser pior ou melhor do que um outro filme que foi, deus sabe por que, feito por outro motivo.
O meu maior problema com a sua argumentação Pedro, é que você coloca o valor literário da obra como algo exterior à ela. Como algo que é atribuido por uma força divina ou um incosciente coletivo de uma elite acadêmica que, ao meu ver, não existe do modo como você a concebe.
"E de onde vem essa valorização? Será que é só através de mim ou existe mesmo algo mais a ser observado? Não dá pra colocar tudo no mesmo nível e chamar de literatura, e é nessa tecla que insisto."

Meu, como assim, tipo, será que é só através de mim? Quem são os velhos sábios escondidos em torres ou túmulos de mármore que impõe a vontade deles sobre você meu querido? Tira esse Exu das suas costas. O que eu quero ouvir aqui é a sua opinião, e se você acredita que não e pode misturar Crepúsculo e Tolkien, eu quero saber o porque você acha isso e não o que o cânone ou os velhos místicos acham disso. Eles não se dignam a sair do reino dos mortos ou da academia para vir discutir comigo num blog. E por favor, para com essa putaria de eu sou um mero graduando. Dê a sua opinião e a assuma! Você fez uma afirmação totalitária de que não se pode chamar Crepúsculo de literatura, então espero que você tenha argumentos sobre a obra e não fora dela para justificar.
16 de julho de 2010 23:14

Guilherme Mariano disse...

Adorei Avatar, muito bem filmado! E um filme que relê o velho conflito do embate do homem contra a natureza de uma forma bacana. Além de ser lindo graficamente, o filme até possui intertextualidades com os videogames, mais precisamente com os tutoriais de videogame ^^
16 de julho de 2010 23:17

Fernando Cordeiro disse...

Gui,
você está inspirado hoje: "E não é porque ele foi feito pra divertir que ele vai ser pior ou melhor do que um outro filme que foi, deus sabe por que, feito por outro motivo."
E a história do Exu foi a melhor dos comentários até agora...
16 de julho de 2010 23:19
Fernando Cordeiro disse...

Ainda sobre o Avatar, acho que uma das coisas que prejudicaram o filme foi os trailers (é assim que escreve?). Assisti 2 diferentes. O primeiro dava apenas a versão dos caras invadindo Pandora (Tipo, vamos para cima desses índios azuis porque eles não são civilizados. Num espécie de repetição da colonização da América. Aí já peguei raiva mortal do filme. O segundo contava a história inteira. Aí só sobrou a azulidão, o 3d e coisa e tal...
16 de julho de 2010 23:25

Pedro Freire disse...

Tá vou tentar argumentar então:

Tokien criou um universo com base em diversas mitologias, edificou uma língua e criou o ambiente ideal para que ela se desenvolvesse, mesmo que de forma ficcional. Desenvolveu uma geografia. Trabalhou com raças, as diferenças entre elas, singularidades pessoais. Eu considero Tolkien o pai do RPG moderno, do qual sou amante.

Ótimo. Agora o que Stephanie Meyer fez? Vou dizer: ela escreveu um livro com enredo a meu ver fraco (quase conseguia adivinhar a fala seguinte enquanto lia), no qual não conseguiu desenvolver bem uma boa ideia. Isso é a minha opinião, chega de me esconder atrás de cânones se isso incomoda tanta gente.

Outro detalhe: a meu ver, que sou um amante dos vampiros clássicos, Meyer pegou tudo o que se sabe sobre vampiros, enfiou num saquinho azul cheio de flores coloridas e enfio no c***. Aquilo, pra mim, não é vampiro nem aqui nem na China. Mas o que seria então? As criaturas de Anne Rice, Bram Stoker? Sim! É por aí. Quando você fuça nesse tipo de criatura imortalizada e amada, você tem que estar pronto para as críticas. Agora o que eu não aceito é uma pessoa vir e me dizer que "aquilo" em Crepúsculo é um vampiro, sendo que pra mim é só um misto de Superman, Globeleza e Dom Juan barato.

O filme também não gostei. Achei que o jogo de câmeras acabou com o filme. O cara devia estar bêbado quando dirigiu aquilo! Tem uma cena que me marcou, na qual o Edward e a Bella estão conversando e a câmera entorta totalmente quando foca Bella, e endireita focando Edward, aí entorta de novo pra Bella, e endireita pro Edward. Não aguentei e gargalhei no cinema.

Mas quando isso virou uma discussão de Crepúsculo. Quem gosta e acha divertido, que feliz! Só não venha esfregar na minha cara que aquilo é bom!!! Meu juízo de bom é um pouco diferente, me desculpem.

Quanto aos Exus: como assim o valor literário não é exterior?! Isso é conservadorismo, não é? Você está querendo dizer que o valor literário está numa essência presente dentro do próprio livro? Vou te dizer uma coisinha, Guilherme: valor é social. São os meios sociais que impõem valores. É óbvio! Você pode achar uma coisa maravilhosa, mas ela pode não valer nada socialmente. Nem a interpretação não está intrínseca à obra!!! Pois se fosse, como existiriam várias? Indo pra minha área: como existiriam várias traduções diferentes de uma mesma obra? Acho que você foi infeliz aí.

E pior: como seriam algumas mais bem vistas que outras? É exteriorrrr!!! A linguagem é o lugar da interação dos indivíduos, e a mensagem carrega uma gama que vai ser depreendida a depender do lugar social que o receptor possui em contraposição ao emissor! Como esse valor não pode ser julgado, se ele É exterior?

Espero que agora estejamos falando a mesma língua.
16 de julho de 2010 23:46

Pedro Freire disse...

Pouts... escrevi o texto e o meu PC deu pau... Perdi tudo...

Quando a preguiça passar eu continuo.. huahauhauhua
16 de julho de 2010 23:47

Pedro Freire disse...

Tá vai, cheguemos a uma conclusão: todo texto pode ser visto como literatura. Eu concordo ^^. O valor dessa literatura é o que muda, e existe o Literário e o literário a depender de uma delimitação imposta, PQ EXISTE, por mais que nossos amigos idealistas, comunistas e exorcistar do Exú (que nada mais é que uma entidade proveniente da quimbanda ou quiumbanda, e essa citação colocou seu ponto de vista aparentemente cristão em contraposição a outra religião que não necessariamente é pior que a sua, se tiver, mas não entremos nesses pormenores aqui). Existe ^^. Devemos evitar isso? Sim ^^. É possível impedir? Talvez. Devemos mudar nosso modo de olhar para a literatura então e perceber que o bom é tão efêmero que modifica-se a depender da situação social? Siiiim.

Concordei com vocês. Cheguei aqui com uma certa concepção do que é literatura e agora estou saindo um comunista literário. Aleluia! Vem vamos embora, esperar não é saber! Cansei de argumentar...

Vamos ser felizes e amigos agora. ^^
17 de julho de 2010 00:04

Pedro Freire disse...

Eu ri muito do Exú... huahuahuahuahuahua
17 de julho de 2010 00:16

Pedro Freire disse...

Agora que percebi: o texto que tinha escrito foi postado. Huahuahuahuahuahuahua.

Falando sério agora, sem ironias: cheguei aqui com um ponto de vista sobre literatura e com essa bela discussão vi que posso estar me equivocando. Pretendo trabalhar isso e, quem sabe, desenvolver e mudar o que eu acho. Obrigado. Vamos ser coleguinhas agora.
17 de julho de 2010 00:22

Julio Camillo disse...

Eu concordo com esta parte "O primeiro caso se utiliza, por exemplo, quando se inicia uma sentença. Veja: Literatura é simpática. O segundo quando não está no começo. Veja: É simpatica a literatura"
17 de julho de 2010 00:25

Fernando Cordeiro disse...

Oi Pedro,
ser amigos ou coleguinhas não tem nada a ver com nada... Não conheço você direito, você pode ter suas opiniões e isso nunca iria impedir uma amizade, mas esse não é o caso.
Esse seu comentário mais longo coloca as coisas nos devidos lugares para mim e para você, imagino que para o Guilherme também...
Eu gosto mais de Tolkien do que da Meyer, mas alguns dos seus argumentos para ostentar a diferença de qualidade entre os dois são “perigosos”... Você parte de uma visão consagrada de vampiros e quer que Crepúsculo imite, ora essa é a antiga premissa das poéticas clássicas: a imitação do modelo. Talvez esse argumento resuma bastante bem o seu posicionamento conservador que coloca está centrado numa determinada tradição e rechaça o que muda, subverte, etc. Interessante que, nesse sentido, seu posicionamento contrarie até as correntes de estudos literários mais contemporâneos, principalmente modernistas e pós-modernistas que vêem na invenção (a partir do já estabelecido) algo positivo e importante. Mais, se você for lembrar os elfos tolkienianos (se não me engano) em muito diferem dos da mitologia que eram espécies de duendes, seres minúsculos e verdes, mas essa diferença você não lembra... Agora quando o vampiro vira um adolescente, você acha ruim... Mais uma vez você está sendo conservador e querendo que os textos literários se portem como você (e a tradição que você adotou) estipulou para eles. Mais interessante ainda é você, que defende a divisão em Literatura e a literatura colocar a Anne Rice do lado do Bram Stocker, mas gosto não se discute...
Superman, Globeleza e Don Juan são três dos mais significativos ícones populares de três países importantes: EUA, Brasil e Espanha. O último inclusive é uma das peças mais importantes da Literatura Espanhola, qual o problema com eles, muito pops para você?
Além disso, Crepúsculo é um romance, digamos, romântico que narra a história de amor entre um vampiro e uma humana (que depois é transformada em vampira). É uma história sobre adolescentes e que, em termos sociais, acaba retratando uma questão muito importante na sociedade contemporânea que é a idéia do “não-pertencimento”, de não encontrar lugar no mundo, na própria sociedade... Nesse sentido, pode ser considerada uma obra importante para os estudos sociológicos... o que você não lembra, mas, é claro, não é esse seu interesse.
Acho que tem um problema na sua argumentação, conservadorismo é achar que alguém (ou um grupo de “alguéns”) deve impor aos outros a sua visão do que é literatura.
Outra coisa: se não se pode a partir do texto atribuir valor, ou seja, se o texto não carrega em si mesmo o seu valor, essa discussão não faz sentido (e acho que era isso mesmo que a Mirane queria provar). Ou seja, dificilmente se prova que uma obra é melhor que a outra com base apenas na obra, sendo assim, quem define o valor é a sociedade, como você quer. Contudo, esse valor é arbitrário, pois é imposto à obra, logo, pensando desse modo, é IMPOSSÍVEL dizer que uma obra é melhor que a outra.
Você pode, é claro, se deixar levar, ser complacente, ser passivo, quanto à imposição social de uma obra e acatar o que lhe empurram goela abaixo. Isso não é ser crítico, eu diria que isso não é ser leitor, porque, afinal de contas, você nem vai precisar ler, basta falar assim: fulano falou que isso é literatura e pronto. Nesse caso, me desculpe, você é um puxa saco sem o menor talento para leitor.
[continua]
17 de julho de 2010 01:30

Fernando Cordeiro disse...

[continuação]
Se você procura nos livros aceitação social, você não está lendo, está fazendo média e sendo pseudointelectual. Vá ler uma coisa chique (Tolstoi, Guimarães Rosa, Mallarmé, etc.) com uma gola role e tomando vinho na frente de uma lareira seu afetado. Porque é isso que você é: um clichê.
Não chego, de modo algum, à conclusão que você sugeriu! Não existe nas obras literárias a divisão entre “literário” e “Literário” (voltamos ao começo da discussão), é você quem está colocando esses rótulos nela. Como já disse, não aceito nada que é imposto, portanto, acho essa sua idéia ridícula.
Esse negócio do Exu você ta brincando né? Quer dizer que se eu for Budista eu não posso falar de Jesus?
Aliás, parabéns para você. Chamar de comunista e cristão foi uma tentativa de ofensa? Acho que agora a comparação com os fascistas (embora eles fosse pseudocrístãos) está começando a fazer mais sentido. É isso mesmo, somos comunistas e comemos criancinhas... Cresce camarada!!!
p.s.: Um problema outro é que depois de procurar motivos digamos de organização textual, de construção narrativa, etc. você fala que valor é externo. Então para que fazer o primeiro? Se o que vai validar ou não uma obra é algo que muito pouco tem a ver com ela, tendo mais a ver com os leitores e a sociedade, por que se dar ao trabalho.
Até mais.
17 de julho de 2010 01:31


Fernando Cordeiro disse...
E o Tolkien é bom porque deu origem ao rpg moderno? O pobre deve estar revirando no caixão!!!
17 de julho de 2010 01:40

Pedro Freire disse...
Pouts... Que coisa. Que seja então ^^. Não quis ofender e já havia aceitado o posicionamento de vocês, mas me desculpe se ofendi.
Retiro tudo o que disse. Não devia ter entrado aqui pra comentar no Blog da Mirane em primeira instância se sabia que ia virar esse tipo de circo, cheio de ofensas diretas dessa forma. Achei sim que poderíamos ter chegado a uma conclusão e brinquei com os fatos, mas estou me retirando pasmado com o último Post, Fernando.

Vou deletar os meus e me lembre de não entrar mais em discussões aqui... terminou lamentavelmente.
17 de julho de 2010 01:43

Fernando Cordeiro disse...
Agora é que finalmente entendi o que você queria dizer com a história da "alma" anexa. A sua "alma" da literatura é como um fantasma que fica rodiando as obras, são os fantasmas dos velhos barbudos e sábios que conferem valor às obras...
Devíamos então chamar o Allan Kardec para analisar as obras!!!
17 de julho de 2010 01:47

Fernando Cordeiro disse...
Não aguenta, pede leite!!!
17 de julho de 2010 01:48

Fernando Cordeiro disse...
Bom, a minha opinião, a menos que a Mirane apague vai ficar aqui.
17 de julho de 2010 01:51

Fernando Cordeiro disse...
A discussão tava legal, pesada, mas legal, que pena...
17 de julho de 2010 01:56

Guilherme Mariano disse...
meu deus, meu deus, meu deus!

O Fernando falou várias coisas que eu a falar, e várias que eu não ia, de certa forma eu ia ser mais complacente e não ia bater tanto no Pedro apesar de eu ter realmente me ofendido com a tarja de Cristão (^^).

Mas Pedro, cá entre nós, você é um fanfarrão meu, olha seu discursinho barato, você repete todo o seu argumento de NOVO e diz que está concordando comigo e que estamos dizendo a MESMA coisa!!!!

WTF!!!!!!!!!

Como assim meu??? E você insiste em repetir essa mesma tática nos outros posts?? Para o mundo que eu quero descer meu! Não dá pra congregar a minha idéia que é oposta a sua na sua idéia, isso não é viável. O que está interessante na conversa é, justamente, a oposição nos pontos de vista e não um conluio político baseado em falsas amizades. Não está em questão se vamos ser superamiguxos ou inimigos, nós estamos discutindo um ponto de vista sobre literatura!!! Falta maturidade ae!

E pro Fer (isso ta ficando grande) eu acho sim que o valor da obra esteja nela, no modo como ela se realiza, obviamente, não posso negar que o valor estético é uma questão que muda com a sociedade e pode tornar uma obra que não era apreciada em determinado tempo, mais importante em outro. Entretanto, uma obra mal realizada, geralmente não se salva ^^
17 de julho de 2010 01:56

Pedro Freire disse...
Não é uma questão de aguentar ou não, Fernando, é uma questão de respeito. Você chamar alguém de afetado e outros adjetivos que você usou aqui é deletar toda uma discussão e jogá-la no lixo, provando que ela sequer deveria ter começado.

Tentei fazer piadinha, posso ter sido infeliz e peço perdão imenso por isso. Quero que saiba que em absoluto! Não tenho nada contra comunistas e cristãos! Muito pelo contrário: simpatizo com ambos. Minha família toda á cristão (apesar de eu me considerar panteísta) e procuro sempre estar engajado com o comunismo. Não sei se tenho sucesso nisso.

Peço de novo mil perdões pelas ofensas (ficou claro que ofendi, e não era a intenção). Eu estou aqui procurando um crescimento pessoal, pelo menos foi por isso que entrei primeiramente, e não para impor. Você ensinou muito mesmo, e depois me fez repensar tudo por causa da baixeza de suas últimas palavras, que me atingiram e magoaram profundamente.

Agora vem com essa provocação infantil de "quem não aguenta bebe leite? Quem tem que crescer aqui?

Não Fernando... lamentável. Tudo podia ser melhor exposto e melhor resolvido se você quisesse.
17 de julho de 2010 01:58

Guilherme Mariano disse...
Perae, como assim apagou os posts? que história é essa? Pegou a bola e levou pra casa... mó mancada ae.
17 de julho de 2010 01:59

Mrs. D. disse...
Bem, lamento o rumo que a coisa tomou, mas basicamente, até agora, só prova o meu ponto.
Uma coisa que eu sempre digo é: você tem todo o direito de expressar a sua opinião, deixando claro que ela é SUA e não uma verdade universal. Então se VOCÊ acha que Crepúsculo é uma merda, é porque VOCÊ leu (por favor, né! Não vai falar sem ter lido) e VOCÊ achou uma merda, o que não quer dizer, de modo algum, que Crepúsculo SEJA uma merda, pois há milhões de pessoas no mundo que acham o contrário, então a menos que você se considere superior (e nesse caso nem vale a pena perder tempo com discussões) e ache que sua opinião vale mais que a do outro, Crepúsculo é tão literatura quanto qualquer outro livro.
E Fer, você apelou....
17 de julho de 2010 02:00

Fernando Cordeiro disse...
Oi Gui,
isso é uma coisa que dá pra discutir com mais calma.
Acho que peguei um pouco pesado com o camarada.
17 de julho de 2010 02:01

Guilherme Mariano disse...
Aliás, apagar post que não seja por erro ortográfico depois que ele foi lido e discutido é meio chato hein? Eu poderia dizer covarde, mas o Pedro parece ser uma pessoa que leva os desaforos pra casa.
17 de julho de 2010 02:01

Pedro Freire disse...
Sim Guilherme, desculpa pela forma infeliz que tratei vocês dois. Repito que não era intenção e admito a imaturidade.

Apanhei e estou saindo magoado daqui, depois de ouvir tudo isso.

Repito: se soubesse, sequer teria entrado. Minha argumentatividade foi falha. Estava trabalhando num crescimento dentro dela mesma.

Vocês venceram. Boa noite.
17 de julho de 2010 02:02

Pedro Freire disse...
Eu sei que é chato apagar os posts, mas fiquei bestificado com a reação do Fernando e a forma que fui tratado.

Não deu não. Não estou acostumado a ser tratado assim. Paciência pra quem é tão engajado em debates políticos que esteja, mas não é a minha praia.
17 de julho de 2010 02:04

Pedro Freire disse...
E Mih, desculpa ter falado mal de crepúsculo assim se você gosta (não sabia), mas é minha opinião tá? Não tô falando que o universo tem que ver assim não. É só a forma como eu vejo e estava explicando o porquê de ver assim.

A propósito: terminei de ler o seu livro e fiquei maravilhado. Pode participar do prêmio Petrobras que tenho certeza que você tem chances.

Adorei ^^
17 de julho de 2010 02:06

Mrs. D. disse...
Não, eu não sou fã de Crepúsculo, mas gostei bastante quando li (odeio os filmes, só o 3 que é razoavelzinho...), meu problema é com o preconceito literário, comecei isso porque estava cansada de ler pessoas falando coisas desmerecendo o livro como se fosse um verme. Mas é só um exemplo, vale pra toda a literatura criticada por mero preconceito.
E eu concordo com você a partir do momento que você diz que é a sua opinião, afinal que tipo de ser humano eu seria se não conseguisse aceitar a opinião de outra pessoa?
E obrigada por ler meu livro!!!
17 de julho de 2010 02:12

Fernando Cordeiro disse...
Em discussões não há vencedores, não é uma guerra.

Julio Camillo disse...
Eu ainda insisto que literatura é a humanidade em modalidade escrita. Ninguém me leva a sério. Eu compreendo.
17 de julho de 2010 02:15

Mrs. D. disse...
Ah! E acredite, tem gente que pensa do Tolkien exatamente o que você pensa do Crepúsculo. Já tive essa mesma discussão aqui na faculdade usando "Tolkien" no lugar de "Crepúsculo". Esse foi o maior motivo para me fazer combater o preconceito literário. Porque por mais que nós achemos o Tolkien um gênio incomparável (sim, eu acho!) tem pessoas que pensam dele o que você pensa de Crepúsculo: mera diversão sem conteúdo, aí é foda....
17 de julho de 2010 02:16

Mrs. D. disse...
Julio! Concordo! E do mesmo jeito que tem todo tipo de ser humano, tem todo tipo de literatura. É isso mesmo!
17 de julho de 2010 02:17

Pedro Freire disse...
Eu sei que minha opinião pode ser mal-fundamentada, mal-argumentada. Não sou um corpo fechado. Com a discussão procurava o crescimento e a mudança. Afinal, quem seria eu se não procurasse por isso, não é? Que tipo de intelectual eu procuraria alcançar se não fosse aberto.

Eu repito: fui infeliz com as piadinhas bobas. Mas não foi intenção.

Agora, tudo perdeu a razão quando o adjetivo "afetado" e coisas como "mal leitor" como juízo de valor foram usados no mesmo post. Não tinha porque manter os outros, afinal qual seria o sentido deles? A discussão foi inutilizada, pois na minha opinião não há razão na perda da razão e da calma. Tudo vai pelo ralo quando o respeito é deixado de lado e a argumentatividade vira ofensa direta.

Desculpa Mih...

P.S: Posso manter seu livro no meu PC pra ler quantas vezes quiser? Se preferir, não espalho antes de ser publicado. Não sei o q vc pensa disso ^^'
17 de julho de 2010 02:19

Julio Camillo disse...
Dialeticamente, em discussões temos uma síntese, da qual retiramos uma nova tese e, depois, uma nova antitese que dá numa outra síntese, e assim por diante. Em termos, temos que, em discussões, não há vencedores, mas há uma releitura de pelo menos dois monólogos intercalados (representação do diálogo, por Mário Quintana)
17 de julho de 2010 02:19

Guilherme Mariano disse...
De fato, o Júlio parece ser o maior fanfarrão do blog ^^
17 de julho de 2010 02:19

Julio Camillo disse...
Poxa, mas qual a diferença entre Fanfarronice (com F maiúsculo e fanfarronice (com f minúsculo)?
17 de julho de 2010 02:21

Pedro Freire disse...
Gostei ^^
17 de julho de 2010 02:21

Mrs. D. disse...
Sem problemas, Pedro, pode manter e ler quantas vezes quiser. Fico feliz que tenha gostado!
Mais uma vez obrigada!
17 de julho de 2010 02:22

Fernando Cordeiro disse...
Eu acho que no final das contas a definição do Júlio é a melhor (e a pior, já que ninguém contesta, e não há sintese, antítese, etc.) Ou seja, é a mais completa.
17 de julho de 2010 02:22

Julio Camillo disse...
É verdade. Se é a melhor, é a pior. Não houve contestação. Perfeito! Concordo. Sem questionamento é dogma, se é dogma é bosta!
17 de julho de 2010 02:23

Julio Camillo disse...
Mas aí eu teria que contestar o seu questionamento e dizer que não é tão perfeito, senão tb seria o melhor e sem síntese. Onde é o Bezerra de Menezes, por favor?
17 de julho de 2010 02:24

FláOrci disse...
Mi, tb quero sucesso nos comentários do blog! :D
Quanto à pergunta que norteia a atual discussão, limito-me a dizer que literatura, pra mim, é amor, é ódio, é tudo, é clichê. Resumindo: é impossível de se concptualizar mediante o atual estágio de baixa reflexividade dos seres humanos.
17 de julho de 2010 02:27

Guilherme Mariano disse...
Mas Pedro, tipo, não é uma questão pessoal, o Fernando tem sangue espanhol ^^ ou português, ou Maia, sei lá. Tipo, eu não me ofendi, sério, não me ofendi com o xingamento de cristão comunista ^^, mas acho que vc meio que apelou a levar a bola embora. Se um cara me bate num blog eu mando um WTF man!! virou pessoal?

E toda a questão é não ser pessoal. Na verdade, a Mirane parece que se saiu feliz com o blog que provou o ponto de vista dela (aparentemente) que dizer oq é e oq não é literatura é uma conversa que não vai chegar a um lugar. Eu acho que não é bem isso, eu acho que o lugar que vamos e queremos chegar se encontra no percurso em si. E uma maneira de andarmos esse percurso é na discussão. Não acho que devamos nos ofender, mas também não precisamos ser feitos de louça né? Afinal, somos todos homens e não bibelôs. E uma exaltação aqui e acolá é divertida até, eu pessoalmente rachei de rir.
Volto a ressaltar, a questão não é com você, e muito menos com Crepúsculo, uma série de livros e filmes, que não me agrada pessoalmente, mas sim uma discussão em que temos pontos de vista evidentes, e que, na minha opinião, sem querer ofendê-lo o seu vem carregado de preconceitos que me assustam.
E sinceramente, querer condensar o meu ponto de vista com um que me assusta foi um erro grave de retórica, ou uma tentativa ousada, mas que feneceu.
Não pense, muito menos, que eu concorde com o FHC ou com a Mirane, divergimos em pontos importantíssimos, a diferença é que não estamos colocando a amizade em questão, embora a mirane o faça com uma certa freqüência.
Espero que você não se cale, pois essa é a pior coisa que você pode fazer, dessa forma, você refuta sua própria fala e impede que se, de alguma forma você foi injustiçado, que isto seja evidente. Exatamente por isso, tomei a liberdade de copiar os seus coments do arquivo offline do firefox e salvar em um doc. ^^
Abrass a todos
17 de julho de 2010 02:29

Mrs. D. disse...

Guilherme, seu cu que eu faço isso!!!!!
Não sou mais sua amiga, idiota!
rsrs, bjs, Gui!
17 de julho de 2010 02:34

Mrs. D. disse...

E Flá, seu blog já é um sucesso!!!
Bjim
17 de julho de 2010 02:36

Pedro Freire disse...

Se e o Fernando tem sangue espanhol, eu acho que tenho francês huahuahuahuahua. Eu suporto exaltações, mas não ofensas, me desculpe.

E que bom que você salvou os meus comentários. Gostaria que me fossem devolvidos se possível. Também de sangue quente, acabei deletando todos eles. Sei que não foi o mais correto de minha parte, mas sou mais descontrolado do que pareço quando algo me atinge.

Repito: estou aqui mais em busca de questionamento e crescimento que para formar um "dogma". Quero crescer, pessoal! Por isso a discussão, certo? Eu sou muito cabeça dura (a Mirane sabe). Vocês não imaginam a dificuldade que os professores tiveram pra me convencer que gramática normativa não era absoluta, e que estava inserida na linguística... A dificuldade para que eu aceitasse o conceito de descrição e tudo isso. Eu sou um baita cabeçudo, e admito. ^^'

Agora, não esperava ser xingado mesmo! E me ofendi sim, obviamente. Não levo desaforo pra casa e os acho desnecessários, principalmente quando estou procurando ser respeitoso. Não estou numa roda de bárbaros, mas de pessoas procurando o rumo do saber.

Repito: não devia ter deletado os posts, e agradeço: vocês me fizeram pensar muito sobre posicionamentos.
17 de julho de 2010 02:39

Fernando Cordeiro disse...

A idéia não era ofender ninguém. Se o problema for o "afetado", como parece que é, ele era uma síntese da imagem da lareira, vinho, etc. Não era pessoal. Se o problema foi o "mau leitor", me desculpe, mas é minha opinião.
17 de julho de 2010 02:47

Julio Camillo disse...

Eu ganhei no Quest! YES!
17 de julho de 2010 02:50

Pedro Freire disse...

As opiniões sempre respeitadas. Procurarei ser um melhor leitor no futuro.

Vou aceitar esse comentário como o mais próximo possível de escusas, e se for, elas estão aceitas. Espero que as minhas também.

Repido, Guilherme, pode me mandar meus comentários depois?
17 de julho de 2010 02:51

Julio Camillo disse...

Esse último foi zueira, mas o resto não era não!!
17 de julho de 2010 02:51

Mrs. D. disse...

Ai, Julio... rsrsrs
17 de julho de 2010 02:51

Pedro Freire disse...

Pra quem quer ler um pouco de lixo litetário:

http://the-univercity.blogspot.com/

adoraria ver comentários seus lá, assim como em:

http://www.augustofreire.blogspot.com/

Espero que gostem mais deles que das minhas concepções ^^
17 de julho de 2010 02:53

FláOrci disse...

Só porque eu comecei a falar, o furdunço acabou. É uma puta falta de sacanagem.
17 de julho de 2010 02:54

Mrs. D. disse...

Não, Flá! A opinião dos meninos não esgotam o assunto de modo algum. Na verdade quem eu queria que lesse isso aqui não leu ainda, ou pelo menos não comentou...
17 de julho de 2010 02:56

Julio Camillo disse...

Entendi, então até agora foi tudo merda ao vento!!
17 de julho de 2010 02:57

Mrs. D. disse...

Não, o que eu quis dizer é que não esgota o assunto. Achei super válido o que foi dito/escrito até agora.
17 de julho de 2010 02:58

Julio Camillo disse...

Então quer dizer que foi válido, mas não foi suficiente? Tudo merda ao vento mesmo.
17 de julho de 2010 02:59

Pedro Freire disse...

Acho que sei de quem a Mih tá falando... Huahuahuahuahua.

Tínhamos planos de um dia fazer um mestrado em conjunto para provar nossos conceitos, sabia Mih?
17 de julho de 2010 02:59

Pedro Freire disse...

Eu não acho que o que falei foi merda ao vendo. Ele federia demais...
17 de julho de 2010 03:00

Julio Camillo disse...

Mirane, o Tolkien já morreu e o Chico Xavier não está aqui pra comentar psicografando. ELE NAO VAI COMENTAR!!!
17 de julho de 2010 03:00

Fernando Cordeiro disse...

Menos a parte do QUEST, porque parece que houve algum tipo de fraude... está sob investigação!!! hehehe
17 de julho de 2010 03:00

Mrs. D. disse...

Será que você sabe... acho que não, não é daqui. Mas agora fiquei curiosa.
17 de julho de 2010 03:00

Julio Camillo disse...

A fraude é legítima, já que ela suporta mta merda quando descartável.
17 de julho de 2010 03:01

Mrs. D. disse...

Juiz decide: Julio roubou!
Hahahahahahahahahahahahahaha
17 de julho de 2010 03:01

Julio Camillo disse...

Roubei, mas fiz!
17 de julho de 2010 03:02

Mrs. D. disse...

E Julio, VAI CAGAR!!! Não é o Tolkien!
17 de julho de 2010 03:03

Julio Camillo disse...

Sempre tem um otário que desvirtua o post. Quem foi?
17 de julho de 2010 03:03

Mrs. D. disse...

Quem foi??? O Sr. Enquete!
17 de julho de 2010 03:05

Julio Camillo disse...

Verdade. Cara tumultua. Eu não acho digno.
17 de julho de 2010 03:06

Mrs. D. disse...

Ah, é verdade. Esse cara é uma coisa!
17 de julho de 2010 03:11

Pedro Freire disse...

Eu juro que li reli li e reli tanto achar sentido, mas não consegui...

Será que sou incapaz? i.i
17 de julho de 2010 03:13

Julio Camillo disse...

É q vc está diante da alta literatura, é necessário um certo tempo de catarse e reflexão. Tempo ora oneroso, ora revelador. (zueira hein, cara? ironia de boa) Eu sou insignificante, não se preocupe.
17 de julho de 2010 03:16

Pedro Freire disse...

huahuahuahuahuahuahuahua. De boa ^^.
17 de julho de 2010 03:18

Guilherme Mariano disse...

Meu, eu saio pra corrigir meu primeiro capítulo e todo mundo volta a comentar!!

Mil posts!!!

Claro pedro, vou clicar no seu perfil e enviar o que eu consegui salvar por email.
17 de julho de 2010 03:20

FláOrci disse...

Pedro:
Vc, ibilceano, deve saber que deve deixar as palavras pulsarem e se amalgamarem! Só assim você pode compreender profundamente o sentido genial e respirante da alta literatura!
17 de julho de 2010 03:20

Julio Camillo disse...

Todos aqui escrevem livros, capítulos, artigos, dissertações....eu escrevo tweets malandros!
17 de julho de 2010 03:21

Fernando Cordeiro disse...

hahahahahaha
17 de julho de 2010 03:22

Guilherme Mariano disse...

Eu não queria dizer nada não Pedro, mas essa sua foto tá lembrando o Edward! huahau^^
17 de julho de 2010 03:23

FláOrci disse...

Pô, Julio, que preconceito com os pseudo-intelectuais
17 de julho de 2010 03:23

Guilherme Mariano disse...

Cara, qualquer tweet malandro tá ganhando da minha dissertação
17 de julho de 2010 03:24

FláOrci disse...

Pedro, se vc já teve aula com a "amalgamada", vc vai saber do q eu tô falando... Se ainda não teve, guarde isso!
17 de julho de 2010 03:25

Guilherme Mariano disse...

Minha dissertação parece o rubinho barrichelo, quando parece que vai terminar a corrida alguém manda freiar, a diferença é que no meu caso, eles estão corretos ^^
17 de julho de 2010 03:25

Julio Camillo disse...

Então só falta o Pelé dar a bandeirada pra vc no dia da banca!
17 de julho de 2010 03:26

FláOrci disse...

HUAHUAHUAHUAHUHAUHAHUAUHAHUAUHA Horas depois...
17 de julho de 2010 03:29

Pedro Freire disse...

Deus... ainda não tive aula com ela. Vou guardar o comentário.

Gente. Eu faço tradução! Não temos literatura quase, o que me frustra, ok? Por isso que penso em prestar reingresso pra letras (sem contar que muitos dos meus melhores amigos são de letras).

Acho que vou dormir, Galera. Desculpa o tumulto e agradeço mais uma vez ^^.

Isso virou chat já... huahuahuahua
17 de julho de 2010 03:30

Pedro Freire disse...

Sim!!! Eu estou parecido com o Edward!!! FAIL!!!
17 de julho de 2010 03:31

Julio Camillo disse...

Tradução?? Agora a gente entendeu pq vc falou tanta merda aqui hoje!




(ZUEIRA DE NOVO HEIN, POR FAVOR)
17 de julho de 2010 03:31

Pedro Freire disse...

hUAHUAHUAHUAHUAHUA. Eu imagino quanta merda falei, sério. Quero aprender pessoal, já disse.

Arrancarei esses preconceitos com unhas e dentes cravejadas em diamantes da luxúria (quê?).
17 de julho de 2010 03:33

Julio Camillo disse...

Eu tava brincando, cara. Pra falar verdade eu só to pegando os jargões pra zuar mesmo. Eu nem acompanhei friamente a discussão. To só enchendo o saco.
17 de julho de 2010 03:34

Pedro Freire disse...

Tudo bem. Estás muito tenso. Eu não sou um maníaco oriental atirador, apesar de ter um na minha sala (que ele não veja isso... temo pela minha vida). Pode zuar a vontade que eu zuo de volta.
17 de julho de 2010 03:37

Wanderlanrp disse...

Meus caros, depois de tão acaloradas discussões, me senti impelido a entrar, também, nas considerações sobre a pergunta “O que faz você, leitor, considerar um livro/escritor literatura?”. A minha primeira frustração é notar que já foram dadas tantas respostas aqui que não me restaria nenhuma original. Mas nem só de originalidade se faz a crítica, então vamos lá.
Comecemos do seguinte modo, também ficcional, de algum modo, mas nem por isso bom ou ruim (também não devem confundir o termo “ficcional” com “literário”, porque isso me meteria em mais uma discussão enormíssima): W se põe a ler – por favor, evitem identificar de modo unívoco W e eu, pois, apesar das semelhanças, W é só uma personagem. W está lendo A moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo, obra citada em todas as histórias da literatura brasileira como importante para o Romantismo brasileiro, mas, infelizmente, W não se importa como o que dizem tais críticos. Na verdade, W acha esse romance a coisa mais melosa e chata que já leu na vida. Tudo bem que W não é assim tão versado em literatura que já tenha lido tantas coisas para comparar, mas como leitor ele tem o direito de ter preferências. De qualquer modo, W não se opõe a que tal obra seja vista como importante para a literatura.
W, nas horas vagas, também lê alguma coisa de literaturas estrangeiras, adora Borges, já leu Cortázar – apesar de que, fora os contos e Rayuela, os demais romances dele são meio fracos, é o que pensa W, mas vocês podem discordar, desde que os leiam antes. W também gosta muito de Cervantes, adora esses romances contemporâneos que brincam com o melodramático, histórias de rir, de sentir e de chorar, aliás, esse deve ser um defeito gravíssimo de W, ele não distingue muito entre alta cultura e cultura de massa, alta e baixa literatura. Não o julguem mal, não quer dizer que W não reconheça que há obra melhores que outras, pois as há, e mais, há obras monumentais. Mas W tem procurado ter o sensato cuidado de notar que gosto e valor, no campo literário, são, também, construções históricas, como tudo que passa pela linguagem, observação, sem dúvida desnecessária aqui, já que todos os meus amigos que passam por aqui conhecem as discussões fundamentais do campo da lingüística e da literatura modernas.
W notou com certa curiosidade, por exemplo, que Shakespeare, em sua época, era visto como um autorzinho, o que para nós, hoje, é quase uma afronta. Góngora, o grande versejador do barroco espanhol, passou a ser valorizado, de fato, no século XX, depois que García Lorca o recuperou e estabeleceu, em sua obra, um forte diálogo com a obra do antecessor. Mas vou obrigar W a se deter menos nos exemplos enciclopédicos, pois W tem uma mania enciclopédica abominável. Melhor passarmos a outro tópico: o que faz W dizer que a frase “pedras são plumas” é incoerente, de um modo geral, mas “um cão sem plumas” é literário? Primeiro, porque W tem um contexto para a segunda e não o tem para a primeira (a menos que os leitores mais exigentes observem que a primeira é, na verdade, um verso citado em O arco e a lira, de O. Paz e, portanto, até essa negação do literário é, já, uma ficção). Ora, não é difícil perceber que a diferença entre a linguagem cotidiana e a linguagem literária não é de substância e, normalmente, também não é de forma, é de função. Mesmo as maiores experimentações ou variações operadas por qualquer obra literária não fogem às possibilidades oferecidas pela linguagem e pelos usos que dela se faz em determinada época, seja em que situação for. W notou, por exemplo, que o que faz um livro como Dom Casmurro ser considerado uma grande obra não é nem a história – que é a de um marido meio psicótico que não sabe se foi traído (se cada marido com essa dúvida fosse escrever um Dom Casmurro, ou nossa literatura seria mais ampla ou seria um horror!). O que o torna obra uma grande é a conjunção de uma situação que não se resolve associada a uma linguagem leve que mantém o leitor ali, atento.
17 de julho de 2010 17:35

Wanderlanrp disse...

Ora, mas W precisa observar, também, que existem obras que se tornam literárias exatamente porque não criam qualquer tipo de vínculo identificatório com o leitor. W, com sua mania de exaustão, poderia indicar algumas obras que trabalham com esse traço, mas acho melhor não permitir que ele venha com sua chata argumentação acadêmica. W às vezes me irrita, fica o tempo todo querendo que eu seja mais rigoroso com o que digo aqui... ah! Maroto.
Mas há, ainda, um outro ponto fundamental para W. Ele tem observado que há um crescente número de supostos leitores, geralmente de formação acadêmica, ou, ao menos, que freqüentam a universidade, que vem criando o hábito de ler uma obra para falar “academicamente” sobre ela. O primeiro impasse nisso é que as pessoas têm uma grande dificuldade para entender o epíteto “acadêmico”, acham que é acadêmico quando se usam termos técnicos difíceis, especialmente se tiverem sido criados por franceses ou norte-americanos. Temo que, para esse tipo de crítico, nenhum dos instigantes ensaios de Borges, por exemplo, seja crítico nem literatura. Para mim são, e ouso dizer que para W também. E então W se põe a perguntar o que é a ética do leitor? É crer incondicionalmente no que lê sem desconfiar de nada? É desconfiar de tudo e não acreditar em nada do que lê, especialmente quando no livro haja seres como sereias, fadas, duendes e outros lindamente reinantes em nosso imaginário? W é muito desconfiado em relação a isso. Já pensou se decidirmos questionar tudo o que seja apenas imaginário e difícil de constatar no que chamamos de mundo real? Bem, não existirá mais dinheiro nem cartão de crédito – pois seu valor é imaginário, que diferença há, materialmente falando, entre uma nota falsa e uma verdadeira? Só o fato de que uma é falsa e outra verdadeira, ou seja, nenhuma, porque é valor dela é simbólico. Também não existirá mais o ponto, nem a reta, para a tristeza dos matemáticos! E como todo o nosso senso de realidade passa pela linguagem e a linguagem é uma representação associada ao imaginário, meu Deus!, o mundo não vai existir mais! W, às vezes, exagera em suas conjecturas, perdoem-no! Pois se continuarmos seu raciocínio vamos chegar à conclusão de que não existimos e esse texto acabará por ser visto como um conto fantástico – mas já deixamos bem claro, no início, que isso aqui não é literatura, eu acho.
Meu jovem W, às vezes você se precipita, mas, por outro lado, você percebe uma coisa fundamental: um bom leitor consegue sempre se aproximar e se distanciar do que lê, e é desse movimento dinâmico que ele tira seu gosto pelo que lê. Ah! Como é curioso que ao lado do Don Quijote esteja sempre Sancho Panza, é como se a fantasia e a razão precisassem estar sempre próximas, complementando-se. O que é literatura? Ah! W, apesar de ficar triste ao perceber isso, ainda não pode responder, e talvez nunca poderá. Mas é isso o mais encantador, mágico talvez. E é maravilhoso pensar que é por causa desse universo de mitos, palavras, imaginação que pessoas se sentam para conversar, para ler, para fugir do que as aflige... que pessoas que nunca se viram acabam se conhecendo, hoje, graças à internet, para falar de um livro, de um autor, de uma emoção sentida ao ler uma história... talvez a única coisa clara acerca do que torna uma obra algo literário é o fato de ela poder ser criticada – e não pensem que estou sendo original aqui, W acaba de me assoprar ao ouvido que já li isso em Walter Benjamin, para que vejam que nem a originalidade entra mais em causa.
17 de julho de 2010 17:48

Wanderlanrp disse...

A maior falta à que pode incorrer um leitor precipitado é tentar impor o que é ou não literário, como se um rótulo fosse mudar o que cada obra desperta ou não em seus leitores. É inerente ao homem tentar colocar ordem e classificar coisas, mas, antes disso, também é humano o desejo de fruição, que, por vezes, beira o culto, e basta estudarmos um pouco as histórias de inscrições em cavernas para vermos isso, algumas delas restritas a serem vistas apenas por um ou outro agraciado por Deus, em sua época. W acha estranhíssimo que, numa época em que se fala em democratização da leitura, as pessoas resolvam encontrar outro modo de segmentar a literatura e os grupos de leitores: rotulando “literatura é aquilo que ninguém lê e quando lê não entende” e “não literatura é aquilo que todo mundo lê e gosta”, porque, descontado o exagero de W na consideração, parece que a avaliação desses – com o perdão da palavra – críticos segue uma lógica semelhante a essa. W ousa sugerir que há, nesse posicionamento, eco de uma visão elitista da crítica de arte tradicional, de base aristocrática que, ironicamente, a maioria desses críticos atuais que adoram rotular, nunca sequer leu, mas a cujo grupo, muito provavelmente, adoraria pertencer.
W recentemente confessou-me que teme os críticos que sempre estão muito certos do que dizem, pois, segundo acredita, são esses os que cometem os maiores absurdos. W me lembra sempre do seguinte: uma obra literária estabelece sempre um jogo com o leitor, e ninguém está a salvo das armadilhas que esse jogo pode apresentar, nem mesmo esses supostos críticos muito preparados. Não me parece mera curiosidade que uma escritora como Clarice Lispector – mulher escrevendo romances numa terra onde pouco se lê e quem escreve são principalmente os homens – tenha escrito: “É que as coisas não são talvez mais altas e mais baixas. De qualidade diferente, entende?”. E como, levado pelo péssimo hábito de W, já me estendi muito aqui, melhor pararmos, pois talvez só mesmo ao leitor caiba o direito de julgar, se bem que pode fazê-lo sempre com bom senso.
E não aleatoriamente, W acaba de me mostrar um outro trecho de Lispector, com o qual termino: “É necessário certo grau de cegueira para poder enxergar determinadas coisas. É essa talvez a marca do artista.”
17 de julho de 2010 17:49